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Uma história de amor e caridade - Cap. 2 – MISSÕES ECUMÊNICAS

Recebi uma carona até o Metro Jabaquara naquela tarde de uma pessoa desconhecida, uma pessoa muito querida espírita também, que se transformou em uma grande amiga até hoje.

Lembro-me que estava na Quaresma, período muito importante para mim, quando retornava para casa, refletindo sobre tudo que tinha acontecido, senti como se Deus falasse ao meu coração.

- Ana você não deseja fundar um Grupo Ecumênico? Então irá começar pelo que é mais difícil para você, com os espíritas, porque com os evangélicos você nunca teve dificuldades.

No dia 04 de Maio de 2009 (Maio mês Mariano, do qual sou muito devota de Nossa Senhora), vou pela primeira vez para as ruas começando tudo do zero, nessa primeira vez que vou para as ruas, preparei café da manhã, 24 litros de leite com achocolatado, e 250 pães francês com manteiga, eu e minha querida e amada mãe.

Minha mãe sempre foi o meu braço direito na cozinha até quando servia na Igreja, só que minha mãe, não nos acompanhava nas ruas, porque ela dizia que o emocional dela não daria para ir para as ruas. Mas me ajudava muito mesmo.

Dessa vez não foi diferente, quando ela me viu colocar tudo sozinha no meu carro, e eu já estava ligando o carro para ir fazer as entregas sozinha, de repente vejo minha mãe bater na porta do carro kkk e dizer abre a porta. Eu abri a porta e de repente ela sentou no banco da frente, e disse vamos. Kkk Na hora fiquei muito emocionada, e disse a senhora tem certeza que deseja ir? E ela disse vamos, e assim nasceu o Grupo Ecumênico Misericórdia. Os irmãos nas calçadas me perguntavam quem era aquela senhora, eu respondia: minha mãe, irmãos. E eles sorrindo diziam, se é sua mãe, é nossa mãe também...kkk e vinham abraça-la, foi uma festa nas ruas naquela manhã de domingo. Minha mãe retornou feliz e eu muito mais.

Ana Lúcia e sua mãe em janeiro deste ano, quando ficou internada por 15 dias!

No próximo mês Deus enviou nossos irmãos espíritas para me acompanharem, depois Deus foi me apresentando outros irmãos evangélicos, católicos e assim fomos nos unindo e formando nosso humilde Grupo, que é realizado na garagem da minha casinha.

Muitos de vocês podem perguntar porque o nome Misericórdia? Coloquei esse nome Grupo Ecumênico Misericórdia (ecumênico porque tudo que fazemos é de forma ecumênica ou seja entre irmãos católicos, espíritas e evangélicos que são as religiões que compõe hoje nosso grupo, já tivemos irmãos ateus que participaram das nossas missões e também budistas, Misericórdia porque essa palavra tem todo um sentido forte de Deus, a grosso modo uma interpretação misérias do coração, eu sempre digo que Misericórdia é realmente você se colocar no lugar daquela pessoa e pensar como Jesus agiria nessa ou naquela situação? Ele sempre usa sua Misericórdia comigo, com você, com todos nós, e é assim que também temos que fazer todos os dias começando sempre nas pequenas coisas.) São Francisco de Assis diz sempre faça poucas coisas, mas as faça bem, e é assim que tentamos realizar nossas humildes missões, pois somos em poucos com muitas necessidades ao nosso redor.

Lembram da minha família? A transformação também tinha que ser feita no meu Lar.

Comecei ao mesmo tempo a dar mais atenção a minha família, não apenas nas tarefas que eu já auxiliava, mas conversar mais com minha tia, com minha mãe, comecei a estar presente em tudo.

Mudei de trabalho para meio período numa empresa que trabalhava para que pudesse ajudar mais nos cuidados com minha tia, e não deixei de frequentar minha Igreja, iniciei a frequentar as missas numa Igreja Franciscana todos os domingos pela manhã ou tarde, lá ninguém me conhecia, lá eu era anônima.

Dois anos depois, minha querida mãe foi diagnosticada com leucemia, e já tínhamos minha tia acamada em casa, no dia seguinte do diagnostico, eu pedi demissão na empresa em que trabalhava, acharam que eu estava louca; mas eu sabia que esse era um desprendimento que eu teria que fazer para cuidar daquela que cuidou de mim a vida inteira, e isso não é caridade, é obrigação nossa de filho, de filha.

Comecei a trabalhar registrada com 15 anos, e sempre fui apaixonada pelo meu trabalho, mas o trabalho não poderia ficar a frente da minha mãe.

Muitos me perguntaram, como você vai sobreviver? E eu respondi os irmãos passam 3 dias nas ruas essa é a estimativa, sem comer nada, sem receber uma refeição sequer, sou privilegiada porque nunca passei por essa situação.

O pouco com Deus é muito, mas o muito sem Deus é nada. Claro a falta do meu salário fez e ainda faz muita falta; mas todos nós temos a capacidade de aprender a viver e conviver com menos. Durante esses últimos 07 anos não teve um dia graças a Deus que eu e minha família tivéssemos passado fome, ou tivéssemos nossas contas não pagas ou vencidas. Deus sempre providenciou o nosso necessário, o pão de cada dia, as contas pagas e isso já é muito mesmo, e somos muito agradecidos.

Minha querida e estimada tia, nos últimos 05 anos além de acamada adquiriu Alzheimer, eu cuidei dela como se fosse a filha que nunca tive, há 03 anos ela faleceu com 92 anos, foi cuidada com amor e dignidade, 11 anos acamada sem nenhuma ferida no corpo, e só lembrava de mim. Aprendi muito cuidando dela, nenhuma faculdade me ensinaria tanto quanto esses últimos 7 anos de total dedicação a minha família sem abrir mão das nossas missões ecumênicas.

Hoje minha querida mãe, está cega de um olho, do outro só vê vultos, mal consegue dar passos, eu que dou banho nela, a levo para os tratamentos na cadeira de rodas, cuido integralmente dela, porque é o maior bem que eu tenho. Na minha religião não se acredita em reencarnação, mas eu falo que se Deus falasse para mim:

- Ana, onde você quer nascer e vir de novo?

Eu responderia:

- Não mude nada, quero vir morando na mesma rua, na mesma casa, com a mesma família.

Dia 04 de Maio de 2009 o Grupo Ecumênico Misericórdia completou 09 anos, 09 anos de muitas lutas, de muitas alegrias, de muitas experiências, 09 anos sem nenhuma briga, sempre nos tratando com respeito, fraternidade e amor entre nós. Além das refeições que levamos para nossos amados irmãos das calçadas, levamos o que o dinheiro não pode comprar, levamos amor, nossos ouvidos, nosso carinho, e permitimos que eles deem os passos por eles mesmos, e quando nossos irmãos nos pedem ajuda para sair das calçadas, porque esse passo tão importante infelizmente depende exclusivamente de cada um, e já é 50% da caminhada, sempre conseguimos uma vaga dentro de Casas de Recuperação que palestrei durante alguns anos, essas portas sempre estão abertas, pois cada pai de família que sai das calçadas, se restaura, e retorna a vida, não tem preço para nós. Durante esses anos auxiliamos Casas de Recuperação, Casas de Vovôs e Vovós, famílias carentes, nossa missão foi crescendo em necessidades que são muitas.

Há 03 anos atrás realizando uma ceia de Natal num barraco de um senhor maravilhoso que conheci puxando carroça na minha rua, conheci algumas crianças que se aproximaram desse barraco para receberem uma refeição, e naquele dia tão especial, escutei a triste história de uma menina que tinha falecido de overdose e as crianças estavam tristes por esse motivo.

Na hora fiquei muito comovida, embora não conhecesse essa criança, agendei com as mães dessa comunidade para poder entrar lá novamente e fazer visitas nos barracos. Como prometido, retornei lá, fiz visitas, e mais um desafio, nunca tinha feito trabalho com crianças, apenas com jovens, adultos e idosos na minha casa.

Mas senti o desafio de fazermos um trabalho também com as crianças para que possam ao crescer, terem opções de escolhas de vida; porque é fácil julgar, entretanto, estar no lugar dessas famílias é muito difícil, você não ter o que comer, passar fome mesmo, dentro da maior cidade do Brasil, em São Paulo capital, viver com a falta de opções, sem ter escolhas, é muito triste...

E agora, o que está por vir?

Será que Ana Lúcia vai mais uma vez encarar este desafio?

Ou será que diante de tantas dificuldades vai parar por aqui?

Não perca os próximos capítulos desta emocionante novela...

Até breve!

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